Simjazz Orquestra percorre diferentes territórios do samba em concerto no Salão de Atos da Pucrs
“Samba & Canção” será apresentado no dia 10 de setembro, com participação dos solistas Dida Larruscain e Edu Meirelles. Entrada franca.
Depois de apresentar concertos dedicados a diferentes momentos e nomes da música brasileira, a Simjazz Orquestra amplia sua temporada com uma nova investigação musical. No dia 10 de setembro, às 20h30, no Salão de Atos da PUCRS, a orquestra apresenta “Samba & Canção – Parte I: Samba – A Invenção do Corpo Brasileiro”, espetáculo que percorre diferentes períodos, compositores e formas de expressão do samba. A apresentação terá participação dos solistas Dida Larruscain e Edu Meirelles. No repertório, estão obras de nomes como Paulinho da Viola, Noel Rosa, Cartola, Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Gonzaguinha e Djavan. Os ingressos são gratuitos e poderão ser garantidos via Sympla, a partir do dia 01/09.
O concerto integra uma construção artística que a Simjazz vem desenvolvendo ao longo de sua primeira temporada, marcada por programas temáticos que articulam repertório, narrativa e concepção cênica. Em 2025, a orquestra apresentou “O Grande Circo Místico” e “Clube da Esquina”, e, em abril de 2026, levou ao Salão de Atos da PUCRS “Elis & Tom: Esse Amor, Uma Canção”, espetáculo inspirado no encontro entre Elis Regina e Tom Jobim. O novo projeto parte novamente de um recorte específico da música brasileira, mas amplia sua perspectiva para acompanhar a trajetória do samba e suas transformações.
Uma das características da nova apresentação está na própria configuração do palco. A Simjazz inverte a hierarquia visual tradicional de uma formação orquestral: a seção rítmica será posicionada à frente do maestro, enquanto cordas e sopros ocuparão diferentes áreas do palco. A escolha faz parte da concepção do espetáculo que é, antes de tudo, um argumento: neste concerto, o ritmo é a fundação, não o ornamento.
Concebido em duas partes, “Samba & Canção” estabelece uma relação entre a formação do samba como matriz da música brasileira cantada e a produção da canção brasileira das décadas de 1960 a 1980. A primeira apresentação, em setembro, será dedicada ao samba. A segunda parte, marcada para 26 de novembro, avançará sobre a canção brasileira e sobre os caminhos que se abriram a partir dessa matriz. O projeto propõe, assim, um percurso que vai da dimensão rítmica e corporal do samba à elaboração da canção, aproximando diferentes momentos da música brasileira.
À frente da Simjazz está o regente, arranjador e diretor artístico Edu Martins. Para o maestro, o samba é a primeira linguagem que a música brasileira inventou inteiramente para si mesma. Não se trata da imitação refinada da modinha portuguesa, nem o eco domesticado da polca europeia, mas uma forma nascida do atrito entre o corpo africano e a cidade colonial, entre a percussão do terreiro e o violão da sala de visitas, entre a resistência do morro e a sedução do asfalto.
"Este concerto não pretende apenas celebrar o samba. Pretende investigá-lo. Perguntar o que ele carrega que nenhuma outra forma musical brasileira carregou da mesma maneira: a síncope como filosofia, a malandragem como visão de mundo, a saudade como força motriz, o sagrado como ritmo", explica Edu Martins.
SIMJAZZ ORQUESTRA
Fundada em Porto Alegre sob direção artística de Edu Martins, a Simjazz Orquestra posiciona-se como principal referência em jazz orquestral no Sul do Brasil. A orquestra combina rigor técnico inquestionável com ousadia repertorial, transitando entre composições originais, obras contemporâneas encomendadas a artistas brasileiros, e releituras conceituais de marcos da MPB. A Simjazz constrói temporadas temáticas onde cada concerto possui identidade dramatúrgica própria, recusando o formato de mera sucessão de peças. Mais que grupo musical, a Simjazz aspira tornar-se instituição cultural duradoura que forma músicos, educa audiências, e deixa repertório gravado como patrimônio para gerações futuras.
EDU MARTINS
Regente, arranjador e diretor artístico com trajetória que inclui colaborações com George Benson, Milton Nascimento, Dave Liebman, Gal Costa, Guinga, Edu Martins é reconhecido por abordagem que equilibra sofisticação harmônica e comunicação emocional direta. Sua concepção de regência orquestral privilegia clareza estrutural sem aridez, lirismo sem sentimentalismo. À frente da Simjazz, Martins desenvolve programação que posiciona o jazz orquestral brasileiro como forma de pensamento, não apenas entretenimento, música que exige escuta ativa e recompensa atenção com experiências de densidade estética rara no circuito cultural contemporâneo.
Do samba urbano à fronteira com a canção
O arco dramatúrgico de “Samba & Canção” percorre quatro movimentos. O primeiro situa as origens do samba como expressão da vida urbana, tendo como ponto de partida a produção carioca dos anos 1930. A abertura musical será “Feitiço da Vila”, de Noel Rosa, seguida por “Meu Drama (Senhora Tentação)” e “As Rosas Não Falam”, de Cartola, e “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho.
O segundo movimento amplia a perspectiva para um samba que passa a incorporar diferentes dimensões artísticas e simbólicas. O programa reúne “Timoneiro”, de Paulinho da Viola, “Sonho Meu”, de Dona Ivone Lara, e “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, associado à interpretação de Clara Nunes. O roteiro conceitual apresenta esse trecho como um momento em que o samba passa a se interrogar sobre si próprio, incorporando dimensões filosóficas, místicas e ligadas à identidade brasileira.
O terceiro movimento trata da expansão do gênero e de sua capacidade de incorporar novas referências sem perder sua base rítmica. Estão no programa “Samba do Grande Amor”, de Chico Buarque, e “Mas Que Nada”, de Jorge Ben Jor. O roteiro destaca, nesse momento, a presença de elementos africanos e do soul norte-americano na linguagem de Jorge Ben Jor, além de uma aproximação mais direta entre o samba e o universo jazzístico da orquestra.
Já o quarto movimento chega à região de encontro entre samba e canção. “O Que É, O Que É?” e “Mestre-sala dos Mares”, de Gonzaguinha, e “Cerrado”, de Djavan, encerram o programa. Nesse trecho, o samba aparece em diálogo com outras formas da música brasileira, chegando à sofisticação harmônica associada à linguagem de Djavan. A própria estrutura do projeto aponta esse movimento como uma passagem para a segunda parte de “Samba & Canção”.
Narração e projeção
Ao longo do espetáculo, a construção musical será acompanhada por recursos de narração e projeção. O roteiro prevê a utilização de palavras-chave e imagens como moldura visual para os diferentes blocos do concerto, com referências que passam por fotografias do Rio de Janeiro entre as décadas de 1930 e 1980, registros de rodas de samba e imagens dos compositores em seus contextos de trabalho.
Viabilizado por meio da Lei Rouanet, o projeto conta com o patrocínio das empresas Pasteur Cosmiatria, Hertz Farmacêutica e Artmed, e apoio cultural do Instituto de Cultura da PUCRS, da TVE e da FM Cultura.
Samba & Canção – Parte I: Samba – A Invenção do Corpo Brasileiro
10 de setembro de 2026
20h30
Salão de Atos da PUCRS – Porto Alegre/RS
Ingressos gratuitos via Sympla a partir do dia 01/09
Direção, arranjos e regência: Edu Martins
Solistas: Dida Larruscain e Edu Meirelles
Duração prevista: aproximadamente 90 minutos
Classificação: livre
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